A tradição universal, tanto de judeus como de cristãos, apoia a autoria do profeta Zacarias. Esse nome significa “O Senhor se lembra”.
Como Jeremias e Ezequiel, Zacarias também era sacerdote (Ne 12:12-16). De acordo com a tradição, era membro da Grande Sinagoga, um conselho com 120 membros criado por Neemias e presidido por Esdras. Posteriormente, esse conselho se transformou no Sinédrio, o grupo de anciãos que governava a nação. Zacarias nasceu na Babilônia e acompanhou o seu avô, Ido, no primeiro grupo de exilados que regressaram para Jerusalém sob a liderança de Zorobabel e do sumo sacerdote Josué (Ne 12:4). Uma vez que Zacarias é mencionado ocasionalmente como filho de seu avô (Ed 5:1; 6:14; Ne 12:16), acredita-se que seu pai, Baraquias, morreu quando Zacarias ainda era jovem demais para sucedê-lo como sacerdote.
As palavras de abertura de Zacarias são datadas de 520 a.C., o segundo ano de Dario I (cf. 1:1). Ciro, o imperador persa, havia morrido e sido sucedido por Cambises (por volta de 530-521 a.C.), que conquistou o Egito. Quando Cambises, que não possuía filhos, cometeu suicídio, Dario subiu ao trono ao suprimir uma revolução. Zacarias foi contemporâneo de Ageu e começou a profetizar dois meses depois dele. É chamado de “jovem" em 2:4, o que sugere que Ageu era mais velho do que ele.
Não se sabe ao certo a duração de seu ministério; a última profecia com data (7:1) foi transmitida cerca de dois anos depois da primeira, num período correspondente ao do ministério de Ageu (520-518 a.C.). Acredita-se que os capítulos 9 a 14 sejam de um período posterior de seu ministério. As diferenças de estilo e referências à Grécia indicam uma data por volta de 480-470 a.C., depois de Dario I (por volta de 521- 486 a.C.), durante o reinado de Xerxes (por volta de 486-464 a.C.), o rei que escolheu Ester para ser rainha da Pérsia. Segundo Mateus 23:35, Zacarias foi assassinado entre o templo e o altar, um fim semelhante ao de outro homônimo de tempos mais antigos (II Crônicas 24:20-21), que foi apedrejado até à morte.
O contexto histórico de Zacarias é o mesmo do seu contemporâneo, Ageu. Em 538 a.C., Ciro da Pérsia libertou os cativos de Israel para que voltassem para a sua terra natal (Ed 1:14), e cerca de cinquenta mil cativos regressaram a Babilônia. Imediatamente, começaram a reconstruir o templo (Ed 3:1 a 4:5), mas em decorrência da oposição de seus vizinhos e da indiferença dos próprios judeus, a obra foi abandonada (Ed 4:24). Dezesseis anos mais tarde (Ed 5:1-2), Zacarias e Ageu foram incumbidos pelo Senhor de incentivar o povo a reconstruir o templo e, passados quatro anos, em 516 a.C., a reconstrução do templo foi concluída (Ed 6:15).
Zacarias se uniu a Ageu para despertar o povo de sua indiferença, desafiando-o a retomar obra do templo. O objetivo maior de Ageu era a reconstrução do templo; sua mensagem é transmitida em tom de censura pela indiferença, pelo pecado e pela falta de confiança do povo em Deus. Ageu foi usado para dar início ao reavivamento, ao passo que o papel de Zacarias foi manter o povo animado por meio de uma ênfase mais positiva, chamando os judeus ao arrependimento assegurando-lhes o cumprimento de bênçãos futuras. Zacarias procurou incentivar o povo a trabalhar na obra do templo com a promessa de que, um dia, o Messias viria para habita-lo. Reanimou o povo ainda oprimido pelas potências gentílicas (1:8-12) com a realidade de que o Senhor não havia se esquecido das promessas da aliança e os restauraria e abençoaria.