Essa profecia leva o nome do autor, que significa “o Senhor esconde”.
Sabe-se pouco sobre Sofonias. Ele reconstitui sua genealogia até 4 gerações passadas, chegando ao Rei Ezequias, e é o único profeta com sangue real, o que pode ter colaborado para conseguir a atenção de Josias, rei de Judá, no tempo em que ele pregou.
O próprio Sofonias data sua mensagem do reinado de Josias (604-609 a.C.). As condições morais e espirituais descritas no livro parecem posicionar a profecia antes das reformas de Josias, quando Judá ainda definhava em idolatria e perversidade. Em 628 a.C., Josias derrubou todos os altares de Baal, queimou os ossos dos falsos profetas e quebrou as imagens de escultura; e, em 622 a.C., o Livro da Lei foi encontrado.
Sofonias profetizou durante um período de tribulação quase universal. Em termos políticos, a transferência iminente do poder mundial das mãos dos assírios para os babilônios enfraqueceu o domínio exercido por Nínive sobre Judá, fazendo soprar ventos de independência sobre o Reino do Sul pela primeira vez em cinquenta anos. O desejo do rei Josias de manter sua recém obtida liberdade das tributações e subserviência sem dúvida o levou a interferir posteriormente na tentativa do Egito de impedir a fuga do rei de Nínive em 609 a.C. (2Cr 35:20-27).
Em termos espirituais, os reinados de Manassés (c. 695-642 a.C.), filho de Ezequias, que se estendeu por mais de quatro décadas, e de seu neto, Amom (por volta de 642-640 a.C.), que durou apenas dois anos, foram marcados por perversidade e rebeldia espiritual (2Rs 21; 2Cr 33). Os primeiros anos do reinado de Josias também foram caracterizados pela perversidade de seu pai (2Rs 23:4). Em 622 a.C., porém, enquanto fazia reparos na casa do Senhor, o sumo sacerdote Hilquias encontrou o Livro da Lei (2Rs 22:8). A leitura do Livro impeliu Josias a iniciar um extenso plano de reformas (2Rs 23).
Foi durante os primeiros anos do reinado de Josias, antes do grande reavivamento, que Sofonias, o profeta da undécima hora, profetizou e, sem dúvida, exerceu influência sobre as amplas reformas realizadas por Josias durante o seu reinado. Os reis perversos que governaram antes de Josias por 55 anos, porém, haviam deixado marcas tão profundas que Judá nunca se recuperou, os efeitos de meio século de liderança perversa deixaram uma nação atolada no pecado, e as reformas do rei Josias resultaram apenas em mudanças superficiais. Até a descoberta da Lei de Deus nos escombros do templo após o tempo de Sofonias teve pouco efeito em longo prazo sobre o comportamento do povo. As reformas de Josias foram tardias demais e não sobreviveram à sua morte.
A mensagem de Sofonias sobre o dia do Senhor advertiu Judá de que os últimos dias estavam próximos, mediante o castigo divino que seria executado por Nabucodonosor, por volta de 605-586 a.C. (1:4-13). No entanto, sua profecia também olha além, para o cumprimento distante dos castigos da septuagésima semana de Daniel (1:18; 3:8). A expressão "dia do Senhor" é empregada pelo autor com mais frequência do que por qualquer outro autor do AT, sendo descrita como um dia que está perto (1:7) e um dia de indignação, angústia, alvoroço, desolação, escuridão, dias de nuvens e densas trevas, dias de trombeta e de rebate (1:15-16,18).
Mesmo em meio esses oráculos da ira divina, porém, o profeta proclamando exorta o povo a buscar ao Senhor, oferecendo abrigo em meio ao castigo e salvação futura para o remanescente fiel (2:7; 3:9-20).