O verbo grego do qual o substantivo “salmos” deriva indica, basicamente, tocar ou tanger em cordas, sugerindo uma associação com instrumento musical. Os salmos constituíam o antigo “hinário” de Israel inspirado por Deus (2Tm 3:16), que definia o espírito e o conteúdo de adoração adequados.
Há 116 salmos que contêm inscrições ou “títulos”. Esses títulos, observados individualmente e estudados como um fenômeno geral, são importantes indicações de que foram acrescentados aos seus respectivos salmos logo após a sua composição e que contêm informações confiáveis.
Esses títulos transmitem vários tipos de informações, como autoria, dedicatória, contexto histórico, indicação litúrgica para líder do louvor, instruções litúrgicas (tipo de música, qual melodia usar, se necessita de acompanhamento musical), além de informações técnicas com significado incerto por serem muito antigas.
Sob perspectiva divina, aponta-se Deus como autor. Considerando a partir do lado humano, temos uma lista de mais de 7 compositores. O rei Davi, que escreveu pelo menos 73/150 salmos, os filhos de Corá, que escreveram dez, Asafe, que contribuiu com 12., entre outros como Salomão, Moisés, Hemã e Etã. Há 50 salmos que permanecem anônimos em sua autoria (há considerações de Esdras ser o responsável por alguns).
O período de Salmos se estende desde Moisés (1410 a.C), ao período pós-exílio do século VI ou começo do século V, que abrange cerca de 900 anos da história judaica.
Os salmos estão situados em dois cenários:
Historicamente, eles abrangem o período de origem da vida até a alegria pós-exílio dos judeus libertados na Babilônia. Tematicamente, os salmos cobrem uma grande variedade de temas, da adoração celestial até a batalha terrena.
Seu principal propósito - e que vem sendo mantido ao longo do tempo - é promover a adoração e o louvor apropriados a Deus.
O tema básico do livro de salmos é desfrutar a vida real num mundo real, onde duas dimensões operam simultaneamente: uma realidade horizontal/temporal e uma realidade vertical/transcendental.
Sem negar a dor da dimensão terrena, o povo de Deus deve viver em alegria e dependência da Pessoa e das promessas que estão por trás da dimensão eternal/celestial. Todos os ciclos das dimensões humanas oferecem oportunidades para a expressão de queixas, confiança, orações ou louvor dos homens ao Senhor soberano de Israel.
O livro de Salmos apresenta uma ampla exposição teológica, pautada de maneira prática na realidade do dia a dia. A pecaminosidade do homem está concretamente documentada, não apenas por meio dos padrões comportamentais dos ímpios, mas também pelos tropeços dos crentes. A soberania de Deus é reconhecida em toda parte, mas não em detrimento da responsabilidade humana. A vida muitas vezes parece estar fora de controle, mas, mesmo assim, todos os acontecimentos e as situações são compreendidos à luz da providência divina e considerados corretos de acordo com o cronograma de Deus. Apresentar vislumbres do futuro "dia do Senhor" sustenta o chamado à perseverança até o fim. Esse livro de louvor apresenta uma teologia bastante prática.
Um fenômeno normalmente mal entendido nos salmos é a associação que muitas vezes se desenvolve entre o "indivíduo" (o salmista) e os "muitos" (o povo teocrático).Praticamente, todos esses casos ocorrem nos salmos do rei Davi. Havia uma inseparável relação entre o governante mediador e seu povo; como era a vida e a devoção a Deus do rei, assim também era a vida e a devoção a Deus do povo. Além do mais, em certos momentos essa união parece atribuir ao salmista uma aparente ligação com Cristo nos salmos messiânicos. Os assim chamados salmos imprecatórios (que proferem palavra de maldição), em que o salmista manifesta-se contra seus inimigos, podem ser mais bem compreendidos a partir dessa perspectiva. Como mediador entre Deus e seu povo, Davi orava para que seus inimigos fossem castigados, já que esses inimigos não ofendiam somente a ele, mas, principalmente, ao povo de Deus.