Título

O nome dessa epístola provém de seus destinatários originais: os membros da igreja de Roma, capital do Império Romano (1:7)

Autor e Data

Ninguém contesta que foi Paulo quem escreveu Romanos.

Mais do que qualquer outra pessoa Paulo foi o responsável pela disseminação do cristianismo por todo Império Romano. Ele fez três viagens missionárias ao longo do Mediterrâneo, pregando de maneira incansável o evangelho que antes havia procurado destruir (At 26:9). Quando voltou para Jerusalém, levando uma oferta para os necessitados da igreja local, foi falsamente acusado por alguns judeus (At 21:27-29), brutalmente espancado por uma multidão enraivecida (At 21:30-31) e preso pelos romanos. Embora dois governadores romanos, Félix e Festo, bem como Herodes Agripa não o tivessem considerado culpado de crime algum, a pressão exercida pelos líderes judeus fez com que Paulo fosse mantido sob guarda policial romana. Depois de dois anos, o apóstolo exerceu os seus direitos de cidadão romano e apelou para César. Após uma desgastante viagem (At 27-28), durante a qual houve uma terrível tempestade de duas semanas, que culminou num naufrágio, Paulo chegou a Roma. Finalmente livre para um curto período de ministério, ele foi preso novamente e martirizado em Roma por volta de 65-67 d.C.

Paulo escreveu a epistola aos Romanos em Corinto, conforme indicam as referências a Febe (Rm 16:1; Cencreia era o porto de Corinto), Gaio (Rm 16:23) e Erasto (Rm 16:23) - todos os quais estavam ligados a Corinto. O apóstolo escreveu a carta perto do fim de sua terceira viagem missionária (mais provavelmente em 56 d.C.), quando se preparava para partir a Palestina com uma oferta para os pobres cristãos da igreja de Jerusalém (Rm 15:25). Febe recebeu a grande responsabilidade de entregar essa carta aos cristãos romanos (16:1-2).

Cenário e Contexto

○ principal propósito de Paulo ao escrever a epistola aos Romanos era ensinar as grandes verdades do evangelho a respeito da graça para os cristãos que nunca haviam recebido instrução dos apóstolos. A carta também o apresenta à igreja em que ele nunca havia estado pessoalmente, mas esperava visitá-la em breve por diversas razões: edificar os cristãos (1:11), pregar o evangelho (1:15) e conhecer os cristãos romanos, pois, assim, eles poderiam encorajá-lo (1:12; 15:32), orar melhor por ele (15:30) e ajudá-lo com o ministério que ele planejava desenvolver na Espanha (15:28).

Diferentemente de suas outras epistolas (por exemplo: I e II Coríntios e Gálatas), a razão pela qual Paulo escreveu não foi a de corrigir uma teologia incorreta ou repreender uma maneira profana de viver. A igreja de Roma era doutrinariamente sadia; entretanto, como todas as igrejas, necessitava dos ricos ensinamentos doutrinários práticos que essa carta fornece.

Temas Históricos e Teológico

Como a epistola de Romanos é, principalmente, uma obra de ensino teológico, ela contém pouco material histórico. Como ilustração, Paulo usa personalidades conhecidas do AT, inclusive Abraão (capítulo 4), Davi (4:6-8), Adão (5:12-21), Sara (9:9), Rebeca (9:10), Esaú e Jacó (9:10-13) e o faraó (9:17). Ele também relata um pouco da história de Israel (capítulos 9 a 11). O capítulo 16 nos permite uma visão da natureza e do caráter da igreja do século I e de seus membros.

O tema predominante em Romanos é a justiça proveniente de Deus: a verdade gloriosa de que o Senhor justifica os pecadores culpados e condenados somente mediante a graça por meio de Cristo. Os capítulos 1 a 11 apresentam as verdades teológicas da doutrina ao passo que os capítulos 12 a 16 detalham o trabalho prático na vida de cada cristão e na vida de toda a igreja. Alguns temas teológicos específicos incluem os princípios de liderança espiritual (1:8-15), a ira de Deus contra a humanidade pecadora (1:18-32), os princípios do julgamento divino (2:1-16), a universalidade do pecado (3:9-20), uma exposição e defesa da justificação pela fé (3:21 a 4:25), a certeza da salvação (5:1-11), a transferência do pecado de Adão (5:12-21), a santificação (capítulos 6 a 8), a soberana de Deus (capítulo 9), o plano de Deus para Israel (capítulo 11), os dons espirituais e a prática da piedade (capítulos 12), a responsabilidade do cristão para com os seus governantes (capítulo 13) e os princípios da liberdade cristã (14:1 a 15:12)