“Filho meu, atenta para as minhas palavras; aos meus ensinamentos inclina os ouvidos. Não os deixes apartar-se dos teus olhos; guarda-os no mais íntimo do teu coração. Porque são vida para quem os acha e saúde, para o seu corpo. (Provérbios 4:20-22)
Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida. Desvia de ti a falsidade da boca e afasta de ti a perversidade dos lábios. Os teus olhos olhem direito, e as tuas pálpebras, diretamente diante de ti. Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam retos. Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal.” (Provérbios 4:23-27)
Essa sequência de versículos apresenta instruções de como agir em relação a nossos membros: coração, olhos, boca, lábios e pés. Esses cuidados são “vida para quem os acha” porque, uma vez que somos feitos para Deus e não para o pecado, quando nossos membros se tornam a causa de uma iniquidade, eles se inclinam para a morte. Não à toa, cada pecado tende a consequências que afundam nossas almas em confusões e distorções cada vez mais intensas e aprisionantes.
Cada um desses membros é facilmente capaz de dominar os outros, por isso devemos proteger e cuidar deles com toda a diligência. Nossa boca fala do que nosso coração está cheio (Mateus 12:34), nossos olhos guiam nosso corpo (Lucas 11:34-36) e nossa boca pode gerar vida ou morte (Provérbios 18:21), então todo o cuidado para preservar a nossa santidade em cada ângulo é fundamental.
Versículos 20-22
A primeira perspectiva que essa sequência de versículos traz é estarmos, em tudo, inclinados para a Palavra. Inclinando nossos ouvidos aos ensinamentos, não deixando que se afastem de nossos olhos e os guardando no mais íntimo do nosso coração, porque assim teremos vida em nosso corpo.
Tudo aquilo que é bom provém de Deus. Então, se queremos que nossa conduta seja boa, devemos obtê-la a partir da orientação dada por Deus. Se temos ouvidos inclinados para a Palavra, olhos fixos em Cristo, um coração que tem Deus como centro, dificilmente o falar dos nossos lábios e nossa conduta serão iníquos. Quanto mais crescemos em conhecimento da instrução, mais nos afastamos das nossas loucuras - e quanto mais nos afastamos da instrução, mais amamos nossas loucuras (Provérbios 5:23).
Versículos 23-37
A segunda perspectiva é de como devemos tratar e preservar cada um desses membros:
Guardando o coração: no antigo testamento, a palavra usada para coração é “lebab”, que no hebraico significa não só o centro de emoções, mas o centro de razão e direcionamento. Somente com o coração guardado podemos ter discernimento e sensibilidade à vontade de Deus. No entanto, é bom lembrar que esse poder não está em nós. Não sabemos como guardar nosso coração em perfeito estado porque sequer temos uma vista completa dele; na verdade, só Deus consegue ultrapassar as barreiras blindadas do nosso coração e ajustar sua direção.
Não à toa, somos lembrados:
“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:6-7)
Sendo assim, compete a nós colocarmos cada percepção, ideia, ansiedade e dúvida diante de Deus. Compete a Deus, a partir da nossa entrega e gratidão, guardar nosso coração em sua paz. E essa paz virá a administrar e discernir os pensamentos e decisões do nosso coração, como diz em Colossenses:
“Que a paz de Cristo seja o juiz em seus corações, visto que vocês foram chamados a viver em paz, como membros de um só corpo. E sejam agradecidos.” (Colossenses 3:15).
Desviando a falsidade da nossa boca e afastando os lábios perversos: uma vez que nossos corações são tomados pela Palavra e centralizados em Deus, é natural que comecemos a transbordar uma conduta que segue isso. Mas, na carta de Tiago, aprendemos que:
“Assim também, a língua é um fogo; é um mundo de iniquidade. Colocada entre os membros do nosso corpo, contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno.” (Tiago 3:6)
Por isso, devemos ter discrição e severidade em julgar se nossos lábios falam aquilo que é verdadeiro e puro ou se estamos dando abertura a falsidades e perversidades que podem nos contaminar. Estejamos assim, observando e julgando o nosso falar sabendo que não é simples a consequência.
Mantendo os olhos fixos à frente: a direção pra onde seus olhos apontam pode sentenciar seus pensamentos e suas percepções a serem boas ou ruins. Quando olhamos excessivamente pra trás, para erros cometidos e vivemos sob culpa constante, estamos ignorando o significado e o poder da crucificação e ressurreição de Jesus. Por isso, em Hebreus somos orientados a nos desfazer de todo peso do pecado e correr a corrida que nos é proposta, com os olhos fixos no Autor e Consumador da nossa fé (Hebreus 12:1-2).
Quando as circunstâncias perdem o poder sobre a direção dos nossos olhos e conseguimos permanecer olhando fixamente para Jesus e persistindo de fé em fé, aprendemos mais sobre quem Deus se revela ser em cada estação da nossa vida.
Os olhos direcionam o corpo. Se olharmos para a luz de Cristo, nosso corpo se encherá dessa luz.
Pondere a vereda dos seus pés: devemos ser conscientes sobre nosso posicionamento. A Bíblia nos orienta a julgar todas as coisas (I Tessalonicenses 5:21) e reconhece a Deus em todos os nosso caminhos (Provérbios 3:6). Se estamos caminhando por uma rota onde não temos qualquer evidência de Sua presença, devemos considerar que estamos em um caminho diferente daquele que Ele deseja.
Então, que nossa oração constante seja que Deus nos ajude a caminhar em direção a Sua voz (Salmos 139:23-24) e nos tire do caminho da mentira (Salmos 119:29). Deus é o único que pode nos conceder a graça de conhecer Sua vontade e, quando pedimos, Ele nos dá, porque Ele se satisfaz na nossa obediência.