Leia Filipenses 4:8-9

A maior parte dos ciclos viciosos, se não todos, começam com um padrão de pensamento. Uma ideia, um medo, um desejo que constroem um raciocínio, terminando em uma ação.

Quando comemos de forma impulsiva por estarmos ansiosos ou quando ficamos reativos às pessoas a nossa volta por estarmos irritados com algo, tudo começa em um simples e ingênuo pensamento. Não só isso, mas muitos dos nossos pecados começam com pensamentos que não foram sondados e filtrados pela Palavra.

A nossa atenção deve ser voltar a isso quando percebemos que a Bíblia nos dá instruções diretas e claras sobre o que pensar e sobre os cuidados que devemos ter com nossas mentes:

“Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo.” (I Pedro 1:13)

*“*Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” (Filipenses 4:8)


Nossos pensamentos são como regadores. Perceba: uma semente jamais irá germinar se ela não for devidamente regada. Muitas vezes, não temos controle sobre as coisas que ouvimos, vemos ou percebemos, mas temos poder para decidir se vamos ruminar e meditar sobre essas coisas ou não.

O excesso de fantasia e ruminação que nos coloca em direção ao pecado nada mais é do que a perversão da nossa criatividade e imaginação - e se tudo em nós deve ser entregue como instrumento de glória a Deus, os nossos pensamentos não devem ficar fora disso.

Não à toa, na segunda carta à igreja em Corinto, Paulo é explícito sobre a maneira com que devemos tratar os pensamentos perversos e desobedientes:

“Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão.”

Leve cativo todo pensamento à obediência de Cristo.

Atente-se à palavra “cativo”: não é uma escolha, vontade ou desejo, é algo forçado. É uma prisão. É uma submissão nada espontânea e que encontrará toda sorte de resistência. Nossos maus pensamentos - e aquilo que os entretém - odeiam a ideia de serem colocados à prova diante de um Rei Santo.

Quantos dos nossos pensamentos seriam anulados, constrangidos e corrigidos se os colocássemos diante de Cristo! Toda a ansiedade que nos leva a ruminar e, inclusive, a questionar a autoridade e providência de Deus em nossas vidas seria posta abaixo. Todo prazer mau, todo olhar malicioso, toda palavra maldita seriam repreendidos pela correção da nossa maneira de pensar.

“Mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Romanos 12:2) - não é interessante como a correção da nossa maneira de pensar é parte fundamental da vida cristã?

O filtro pelo qual nossos pensamentos devem passar é o filtro da obediência. Se é mau, perverso, fantasioso, mentiroso, imoral ou idólatra, deve ser levado cativo à obediência de Cristo e rendido para que Jesus faça conforme seu querer: corte, queime e derrube, a fim de que algo novo e redimido seja colocado no lugar.


Na prática

Por fim, reconhecendo que a mente é algo corrupto, o primeiro passo é entender que ela não é nossa amiga. O que pensamos é digno de reconsiderações e repreensões.

Segundo, o cuidado com aquilo que consumimos é uma das necessidades que mais ignoramos porque não entendemos que as sementes que são plantadas precisam morrer. Quando permanecemos ouvindo, lendo e assistindo coisas que entretêm os maus pensamentos e alimentam as ruminações, estamos criando um ambiente favorável para que atitudes sejam tomadas com base em ciclos de pensamentos que deveriam ter sido interrompidos.