Leia: Apocalipse 2:2-5

Acho essa uma das passagens mais interessantes da Bíblia.

A maneira com que Cristo convida a igreja a voltar ao primeiro amor sempre foi tomada por mim como algo belo, romântico e, acima de tudo, óbvia. Eu visualizava de maneira palpável o que era o “voltar ao primeiro amor”: escolher a Cristo antes de qualquer coisa. Torná-lo o primeiro em minha rotina, principalmente. Acordar com uma oração, ler a Palavra antes de qualquer outra coisa, me arrepender, agradecer, falar sobre Ele, cantar sobre Ele, ir aos cultos, viver como cristã, afinal.

Acordar com uma oração, talvez só repetir algumas palavras automáticas todos os dias.

Ler a Palavra antes de qualquer coisa. Pode ser que eu não preste muita atenção hoje, mas pelo menos já fiz.

Me arrepender… seja lá do quê.

Agradecer, ainda que com o coração ingrato, não temos que agradecer?

Falar sobre Ele, ainda que eu mal O viva.

Cantar sobre Ele, ainda que eu não conheça o Cristo sobre quem canto e O declamo como uma antiga memória.

Ir aos cultos, jamais prestar culto.

Viver como “cristã”, afinal, mas não como quem conhece a Cristo.


Era um fim de tarde quando fui fazer meu devocional, para cumprir a tarefa do dia. Me vi ali sentada prestes a cumprir mais um ritual. Só que, nesse dia, meu coração foi incomodado pela maneira como eu nunca mais tinha vivido, de forma clara, um tempo com Deus. Não falo sobre grandes experiências audíveis e palpáveis como choros, gritos ou arrepios, falo da paz. Falo da alegria, da gratidão genuína, da leveza de quem acabou de aprender um pouco com o Pai. Sentia saudades de ter saudade de encontrar aconchego aos braços de Jesus e trocar de fardo com Ele, sentir que estava sendo cuidada e amada.

Quando nos sentimos distantes de Deus, garanto que não foi Ele quem se afastou.

Abri a Bíblia em Apocalipse 2. Como eu disse, gostava dessa passagem e me senti guiada a ir até lá. Mas, diferente dos outros dias, o que me saltou aos olhos não foi Cristo dizendo para voltarmos ao primeiro amor, mas a conduta da igreja que estava distante d’Ele.

“Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos; e tens perseverança, e suportaste provas por causa do meu nome, e não te deixaste esmorecer…”

Ah, pudera! A Igreja de Éfeso estava em perfeito estado. Perceba, eram perseverantes, não podiam suportar o mau, puseram à prova aqueles que se declaravam autoridade em Cristo e não o eram, suportaram perseguições e provações sem desanimar. Eles cumpriam todos os requisitos. Eram perfeitos cristãos segundo nossos olhos, segundo nossas expectativas, segundo nossa vã idealização.

“Ser cristão significa amar ao Senhor Jesus Cristo. Mas a paixão e o fervor dos efésios por Cristo Jesus haviam se tornado ortodoxia fria e mecânica. Sua pureza doutrinária e moral, seu imenso zelo pela verdade e seu disciplinado serviço não eram substitutos para o amor a Cristo, que eles haviam abandonado.” - John MacArthur.