“E o rei de Sodoma disse a Abrão: Dá-me a mim as pessoas, e os bens toma para ti. Abrão, porém, disse ao rei de Sodoma: Levantei minha mão ao Senhor, o Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra, Jurando que desde um fio até à correia de um sapato, não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu; para que não digas: Eu enriqueci a Abrão; Salvo tão somente o que os jovens comeram, e a parte que toca aos homens que comigo foram, Aner, Escol e Manre; estes que tomem a sua parte.”
(Gênesis 14:21-24)
A jornada de fé cristã é recheada de momentos que irão testar e refinar nosso caráter. Durante toda a história bíblica, vemos o povo de Deus sendo convocado a ter um senso de justiça mais apurado, uma perspectiva do que é correto muito mais assertiva e teimosa do que aqueles que não conhecem a Deus.
Abrão se viu em um contexto onde, com o fim de fazer aquilo que era certo, ele precisava se associar ao rei de uma das cidades que Deus viria a destruir tamanha a depravação que existia ali: Sodoma. Até hoje, o termo “sodomita” é usado para adjetivar pessoas e práticas de impureza sexual e toda sorte de luxúria e prazer perverso; a história desse lugar é marcada e lembrada pelo pecado - porque era tudo o que tinha.
As circunstâncias apertaram ao ponto de Abrão precisar se associar, mas não para ganhos pessoais, e sim para garantir que a coisa certa fosse feita. Se não fosse pela disposição de Abrão e, claro, a providência divina, o rei de Sodoma dificilmente teria conseguido se recuperar dessa guerra. Sendo assim, pelas condutas morais da época, Abrão tinha direito ao despojo, isto é, os bens tomados nessa vitória.
Abrão recusa.
Muitos de nós podemos questionar qual é, de fato, o grande problema nisso. Afinal, se era correto, se era essa a conduta da época, por que não aproveitar? Por que não tomar a recompensa da sua própria atitude?
Porque tudo o que somos, fazemos ou temos deve servir para a glória de Deus. Se a tomada desse despojo O desonra, não será tomado sequer um cadarço ou fio. Se esses bens foram adquiridos em um ambiente de podridão espiritual, Abrão não iria querer ter parte nisso. O código moral de um servo de Deus deve ser mais elevado - não vivemos preocupados em fazer somente aquilo que é lícito, mas somente aquilo que glorifica a Deus.
Na minha e na sua vida, seremos convidados a participar de situações e contextos que, em sua forma externa, não têm qualquer problema. Seremos tentados a comemorar nossa própria justiça, a nos recompensarmos pelas nossas conquistas, a esquecer que nossa justiça e nossa força para conquistar vêm exclusivamente de Deus.
As áreas da sua vida, hoje, glorificam a Deus? Seus relacionamentos, seu trabalho, sua rotina, seus cuidados, suas palavras, a administração do seu tempo, seus pensamentos, tudo isso glorifica a Deus? Aponta para Cristo? Ou você tem tomado os despojos pecaminosos que a conduta moral da nossa era te diz que você merece?
Somos convocados a fazer o que é certo sem esperar algo em troca. É para a glória de Deus, não a nossa. A nossa recompensa virá d’Ele que é fiel e poderoso para fazer infinitamente mais do que pensamos e, principalmente, entregar muito mais do que as migalhas que o mundo oferece como despojo.
Permaneçam firmes em obediência e oração. E o seu Pai, que te vê em secreto, te recompensará!
(July Ane Martins)