O livro recebe o nome do profeta que, depois de ter recebido a palavra do Senhor, foi comissionada para proclamá-la.
Miqueias é uma forma abreviada de Micaías, que significa “Quem é como o Senhor?”.
O primeiro versículo do livro já estabelece Miqueias como o autor, e essa é praticamente a única informação que temos a seu respeito. Como seu lugar de origem, o profeta menciona a cidade de Moresete (1:1, 14) situada no sopé dos montes de Judá, aproximadamente 40 quilômetros a sudoeste de Jerusalém, na fronteira entre Judá e Filístia, próximo de Gate.
Miqueias data a sua profecia dos reinados de Jotão (750-731 a.C.), Acaz (731-715 a.C.) e Ezequias (715-686 a.C.). A condenação das injustiças sociais e da corrupção religiosa retoma os temas de Amós (meados do século VIII a.C.) e de seus contemporâneos: Oseias, no norte (por volta de 755-710 a.C.). As referências de Miqueias quanto à queda iminente de Samaria (1:6) o situam claramente antes de 722 a.C., por volta de 735-710 a.C.
Uma vez que o Reino do Norte (Israel) estava prestes a ser derrubado pelos assírios em 722 a.C., ao datar a sua mensagem, o profeta menciona apenas os reis de Judá (Reino do Sul), onde ele vivia.
A prosperidade econômica e a ausência de crises internacionais que marcaram os dias de Jeroboão II (793-753 a.C.), estavam passando. A Síria e Israel invadiram Judá, e o perverso Rei Acaz foi levado temporariamente para cativeiro. Quando a Assíria derrotou a Síria e Israel, o bondoso rei Ezequias rompeu sua aliança com os assírios, resultando no cerco de Senaqueribe a Jerusalém em 701 a.C., mas o Senhor enviou o seu anjo para libertar Judá (II Crônicas 32:21). Ezequias foi usado por Deus para conduzir Judá de volta à verdadeira adoração.
Depois do reinado próspero de Uzias, seu filho Jotão manteve as as políticas do pai, mas não eliminou os centros de idolatria. Com isso, a prosperidade externa não passava de fachada que mascarava a corrupção social e o sincretismo religioso desenfreados. A adoração a Baal foi obtendo espaço dentro do sistema sacrificial do AT e alcançou proporções epidêmicas durante o reinado de Acaz. Quando Samaria (capital de Judá) caiu, milhares de refugiados migraram para Judá, levando consigo o sincretismo religioso.
Ainda que Miqueias tenha tratado dessa questão, o foco de suas repreensões mais severas era a desintegração dos valores sociais e pessoais. A Assíria era a potência dominante e uma ameaça constante a Judá. Diante disso, as predições de Miqueias de que a Babilônia, sob domínio assírio, conquistaria Judá pareciam improváveis. Nesse sentido, Miqueias exerceu em Judá um papel semelhante ao do profeta Amós em Israel.
Miqueias proclamou, essencialmente, uma mensagem de condenação a um povo que insistia em praticar o mal.
A profecia é organizada em três oráculos ou ciclos, cada um iniciado pela advertência “Ouçam”. Dentro de cada oráculo, o profeta passa da condenação à esperança - condenação por causa da transgressão da lei dada por Deus no Sinai e esperança por causa da aliança imutável de Deus com seus antepassados (7:20).
Um terço do livro trata dos pecados do povo, outro terço considera os castigos de Deus que estão por vire a outra terça parte promete esperança aos fiéis depois do castigo. O tema do caráter inevitável do castigo divino pelo pecado é combinado com o compromisso imutável de Deus com as promessas de sua aliança. A combinação da mentira absolutamente coerente como Deus julga o pecado com o compromisso inalterável de Deus com a sua aliança por meio de um remanescente do seu povo proporciona aos ouvintes uma revelação clara do caráter do Soberano do universo. Deus intervirá para julgar os pecadores e abençoar aqueles que se arrependerem.