Marcos é citado no livro de Atos como: “João, também chamado Marcos” (At 12:12,25). João Marcos era primo de Barnabé e, com ele, seguiu na primeira viagem missionária de Paulo, contudo, os abandonou no caminho para Perge, voltando para Jerusalém. Mais tarde, quando Barnabé sugeriu que João Marcos os acompanhasse na segunda viagem missionária, Paulo recusou.
Essa indecisão deu lugar a uma grande força e maturidade, e, com o passar do tempo ele mostrou seu valor, até mesmo para o apóstolo Paulo, que quando escreveu a carta aos Colossenses os instruiu que Marcos deveria ser bem recebido e o citou como cooperador. Além disso, disse a Timóteo: “Traga Marcos com você porque ele me é útil ao ministério”.
A restauração de João Marcos a um ministério de grande utilidade pode ter acontecido em parte, por causa da mediação de Pedro, pois eles tinham uma relação próxima e Pedro também já havia fracassado, e sua influência sobre esse homem mais jovem sem dúvida foi fundamental para ajudá-lo a sair da instabilidade da sua juventude e entrar na força da maturidade que ele precisaria para a obra à qual Deus o havia chamado.
Os pais da igreja primitiva afirmam com unanimidade que Marcos escreveu esse evangelho.
Marcos agiu como intérprete de Pedro, escrevendo com precisão tudo que havia ouvido sem inserir ficções ou omitir alguma informação, acomodando os relatos em uma ordem de acordo com as necessidades dos ouvintes. Irineu diz que esse evangelho foi escrito segundo a pregação de Pedro sobre Cristo.
Ainda não é certo a data exata em que o livro foi escrito, mas é provável que tenha sido em algum momento dos anos 50 d.C., pois é uma data anterior a destruição do templo em Jerusalém.
Marcos parece ter sido escrito para os cristãos romanos, particularmente os gentios. Quando fala de temas aramaicos, Marcos os traduz para seus leitores (Ex: 3:17; 5:41; 7:11), além de empregar expressões latinas em vez de equivalentes gregos (5:9; 6:27; 12:15,42; 15:16,39). Ele conta o tempo de acordo com o sistema romano (6:48; 13:35) e explica os costumes judaicos (7:3-4; 14:12; 15:42).
Marcos omite elementos judaicos, faz menos referências ao AT, inclui menos materiais que seriam de particular interesse para os leitores judaicos (como as críticas aos fariseus e saduceus). Quando menciona Simão, o identifica como pai de Rufo, um proeminente membro da igreja de Roma.
Marcos apresenta Jesus como servo sofredor de Deus, enfatizando o serviço e o sacrifício. Marcos demonstra a humanidade de Cristo mais claramente do que qualquer outro evangelho, enfatizando suas emoções e outros pequenos detalhes a respeito de Jesus que se destacam o lado humano do filho de Deus.