Título

Seguindo o texto massorético hebraico, o título do livro é derivado do nome do personagem principal: Jonas, filho de Amitai.

Jonas significa “pombo”.

Autor e Data

A autoria não é declarada no livro. O autor se refere a Jonas na terceira pessoa, fazendo com que alguns estudiosos não considerem o profeta como autor do livro, por mais que o uso da terceira pessoa seja comum no Antigo Testamento (Ex: I Samuel, Êxodo). No entanto, algumas informações autobiográficas apontam pra Jonas como seu autor.

De acordo com II Reis 14:25, Jonas era de Gate-Hefer, nas proximidades de Nazaré. O contexto situa o relato no período correspondente ao longo e próspero reinado de Jeroboão II (793-758 a.C.). Jonas é um profeta das tribos do Norte que exerceu o ministério pouco antes de Amós, por volta de 760 a.C.

Inclusive, os fariseus se precipitaram quando disseram que “da Galileia não surge profeta”, pois Jonas era Galileu.

Cenário e Contexto

Como profeta de Israel, reino constituído por 10 tribos do norte, Jonas viveu o mesmo contexto de Amós: uma nação materialmente próspera, uma vez que as nações inimigas estavam enfraquecidas (Assíria e Síria), mas de extrema pobreza em termos espirituais.

A religião era ritualista e se tornava cada vez mais idólatra, e a justiça havia sido pervertida. A paz e a riqueza haviam tornado Israel espiritual, moral e eticamente corrompida. Consequentemente, Deus castigaria o Reino do Norte permitindo que os assírios o destruíssem e levassem seu povo para o cativeiro em 722 a.C.

Duas pragas (765 e 759 a.C.) e um eclipse solar (763 a.C.) podem ter contribuído para o arrependimento de Nínive e preparado a cidade para receber a mensagem de castigo proclamada por Jonas.

Temas Históricos e Teológicos

Apesar de ser um profeta israelita, Jonas não é lembrado pelo seu ministério em Israel. O livro relata seu chamado para pregar em Nínive e sua recusa em obedecer.

Nínive, capital da Assíria, era infame por sua crueldade e uma inimiga histórica de Israel e Judá. É uma cidade fundada por Ninrode, bisneto de Noé e, apesar de talvez ter sido a maior cidade do mundo antigo, foi destruída cerca 150 anos depois da geração que se arrependeu por ocasião da vinda de Jonas.

A aversão política dos Israelitas à Assíria, junto com a ideia de superioridade espiritual como beneficiários da bênção de Deus na aliança, fizeram com que Jonas resistisse ao chamado de Deus para o trabalho missionário. Ele foi enviado a Nínive em parte para envergonhar Israel (afinal, era uma cidade pagã se arrependendo mediante a pregação de um estrangeiro, enquanto Israel não havia se arrependido mesmo tendo ouvido a pregação de muitos profetas).

O livro de Jonas revela a extensão do amor de Deus sobre toda a humanidade e não somente ao povo da aliança. Revela também o governo soberano de Deus sobre toda humanidade e a criação.

Jesus usou o arrependimento dos ninivitas para repreender os fariseus, pois Nínive se arrependeu depois de ouvir a pregação de um profeta relutante, ao passo que os fariseus se recusaram a se arrepender depois de ouvir a pregação do maior de todos os profetas, apesar das evidências de que ele era seu Senhor e Messias.

Jonas retrata Israel, povo escolhido e incumbido por Deus para servir como testemunha, que se rebelou contra a vontade do Senhor, mas que tem sido preservado miraculosamente pelo Senhor ao longo dos séculos de exílio e dispersão para, um dia, proclamar sua verdade.