Título

Tanto a versão grega como a latina seguem o texto hebraico massorético ao dar a esse livro o título de Joel, uma homenagem ao profeta que recebeu a mensagem de Deus.

Joel significa “O Senhor é Deus”.

Autor e Data

O autor se identifica no primeiro versículo como “Joel, filho de Petuel”. O livro não fornece muitas informações a respeito da história de Joel, mas demonstra seu profundo zelo pelos sacrifícios no tempo (1:9; 2:13-16), sua familiaridade com a vida agrícola e pastoril e conta o fato de não ser contado entre os sacerdotes (características que nos sugerem que ele não era um levita).

A datação do livro é estabelecida com base na sua posição canônica, nas alusões históricas e elementos linguísticos. Logo, ao considerarmos:

  1. A ausência de menção de qualquer outro poder mundial posterior (Assíria, Babilônia ou Pérsia);
  2. O fato de que o estilo de Joel se assemelha mais ao de Oseias e de Amós do que ao dos profetas pós-exílio;
  3. Os paralelos verbais com outros profetas anteriores (Joel 3:16/Amós 1:2; Joel 3:18/Amós 9:13)

uma data no final do século IX a.C., durante o reinado de Joás (por volta de 835-796 a.C.), parece ser a mais provável.

Porém, a data do livro é irrelevante quanto ao seu conteúdo. A mensagem de Joel é atemporal, uma doutrina que pode ser repetida e aplicada em qualquer era.

Cenário e Contexto

Além de Tiro, Sidom e Filístia terem feito frequentes incursões militares a Israel, uma seca muito prolongada e uma grande invasão de gafanhotos havia destruído quase tudo que era verde na terra, trazendo grave devastação econômica. Esse desastre natural forneceu a Joel a ilustração do juízo de Deus: se a vinda dos gafanhotos foi um castigo de Deus por causa do pecado, o futuro castigo divino no Dia do Senhor será muito mais severo.

Com tudo isso, Joel não faz menção a algum pecado específico, mas chama o povo para um arrependimento sincero:

“Rasguem o coração, e não as vestes”.

Temas Históricos e Teológicos

O livro de Joel tem como tema principal o dia do Senhor, permeando todas as partes de sua mensagem.

O dia do Senhor não se refere a um tempo cronológico específico, mas a um período de ira e castigo que pertencem exclusivamente a Deus, revelando o caráter do Senhor - santo e poderoso - e aterrorizando seus inimigos. Às vezes, ele tem seu cumprimento histórico num futuro próximo, como é visto em Ezequiel 13:5, sobre a conquista e destruição de Jerusalém pela Babilônia.

Sendo comum em profecias, o cumprimento próximo é um acontecimento histórico a partir do qual se pode depreender um cumprimento mais distante e escatológico.

O dia do Senhor é frequentemente associado a abalos sísmicos, violentas condições climáticas, nuvens densas e escuridão, cataclismos e como um “grande “ e “terrível” dia que “como destruição poderosa da parte do Todo-poderoso, ele virá (1:15)”.