Título

Esse livro recebeu o nome do sue autor, Jeremias. Ele fala mais a respeito da sua vida do que qualquer outro profeta, falando do sue ministério, das reações dos seus ouvintes, de provações e dos seus sentimentos pessoais.

O nome Jeremias significa: “Javé lança”, no sentido de lançar uma fundação, ou “Javé estabelece, designa ou envia”.

Autor e Data

Jeremias era filho de um sacerdote chamado Hilquias e originários de uma pequena vila de Anatote, que ficava localizada nas terras herdadas pela tribo de Benjamin. No seu ministério, foi auxiliado por Baruque, a quem ditava suas profecias e que tanto registrava suas palavras como tinha sob sua custódia os escritos compilados das mensagens do Profeta (36:4 e 32; 45:1).

Jeremias, conhecido como “o profeta chorão”, teve uma vida cheia de conflitos por causa das predições dos castigos que vieram por meio dos babilônios. Ele foi ameaçado, colocado em troncos, forçado a fugir do rei Eliaquim, humilhado publicamente por um falso profeta e jogado numa cisterna.

Seu ministério foi essencialmente voltado para seu povo de Judá, mas por vezes se estendeu a outras nações. Ele pedia para que se arrependessem na expectativa de evitar o castigo de Deus por meio de uma invasão. Já que o povo não manifestou arrependimento, a invasão era certa, com isso, Jeremias suplicou que não houvesse resistência aos invasores babilônios para evitar a destruição total do povo, além de pedir para que os delegados de outras nações dessem ouvidos a seus conselhos e se submetessem aos babilônios. Ele profetizou a respeito do castigo divino para várias nações.

O período do seu ministério vai desde o 13º ano do rei Josias de Judá (627 a.C.), até depois da queda de Jerusalém diante da Babilônia, em 586 a.C. Depois de 586 a.C., ele foi forçado a partir com o remanescente de Judá para o Egito, possivelmente ainda atuando em seu ministério profético em 570 a.C.

Cenário e Contexto

Os cenários que compõem a época de Jeremias estão descritos em II Reis 22 a 25 e II Crônicas 34 a 36. As mensagens de Jeremias retratam:

  1. O pecado do povo;
  2. O invasor que Deus enviaria;
  3. Os rigores do cerco de Jerusalém;
  4. O flagelo da destruição.

As mensagens de Jeremias a respeito do iminente castigo por causa da idolatria e outros pecados foi proclamada por cerca de 40 anos e se cumpriram durante o reinado dos últimos 5 reis de Judá.

A condição espiritual de Judá era a flagrante adoração a ídolos. O rei Acaz, que precedeu o seu filho Ezequias, durante o ministério de Isaías havia estabelecido um sistema de sacrifícios de crianças ao deus Moloque, no vale do Hinom, fora de Jerusalém. Ezequias fez uma reforma religiosa e purificou Jerusalém dessa prática, mas seu filho Manassés retomou a tanto a prática de sacrifício de crianças como outras atividades de idolatrai, que persistiam até os dias de Jeremias.

A reforma de Josias, que atingiu seu ápice em 622 a.C., forçou uma repressão exterior das piores práticas, mas o câncer mortal desse pecado era profundo e rapidamente floresceu de novo depois de um reavivamento superficial. A falta de sinceridade religiosa, a desonestidade o adultério, a injustiça, a tirania contra os desvalidos e a difamação prevaleciam entre o povo como regra, não exceção.

Temas Históricos e Teológicos

O tema principal em Jeremias é o castigo que virá sobre Judá e a sua restauração no reino messiânico futuro.

Uma vez que o castigo de Deus era iminente, ele concentrou a atenção nos problemas imediatos à medida que tentava fazer a nação voltar antes de atingir o ponto de onde não haveria mais volta.