• Título: o nome “Jó” é derivado da palavra hebraica usada para “perseguição”, significando “o perseguido” e da palavra árabe usada para “arrepender-se”, ou seja, “o arrependido”.

  • Autor: o livro não menciona o nome do autor. O próprio Jó seria um autor improvável já que o livro retrata sua ignorância sobre tudo que estava acontecendo no mundo espiritual que interferiria na sua situação material e física. Algumas tradições sugerem Moisés, pois viveu em Midiã que é um local próximo a Uz (onde Jó vivia).

    Outra sugestão é que tenha sido escrito por Salomão, devido a similaridade com o conteúdo de Eclesiastes, além de ser o autor dos outros livros de sabedoria (Provérbios e Eclesiastes). Nesse caso, assim como Moisés foi o autor de Gênesis por inspiração ao relatar acontecimentos de antes de sua época (Adão e Eva, por exemplo), Salomão teria escrito a história de Jó por inspiração divina.

    Eliú, Isaías, Ezequias, Jeremias e Esdras também são sugeridos como possíveis autores.

  • Data: o momento que o livro foi escrito pode ter sido muito posterior aos acontecimentos relatados. Alguns fatos que sustentam essa hipótese são:

    • a idade de Jó, que sugere que ele viveu no período patriarcal (assim como Abraão);
    • os caldeus que mataram os servos de Jó ainda eram nômades (mais tarde viriam a se estabelecer em cidades);
    • a forma que a riqueza de Jó era medida: por rebanhos e não por ouro e prata;
    • Jó conhecia a história de Adão (31:33) e do dilúvio dos dias de Noé (12:15). Isso situa os relatos do livro numa época pós Babel, mas anterior ou contemporânea a Abraão, sendo o livro mais antigo da Bíblia (e, por isso, está sendo lido antes de Gênesis)
  • Contexto: o livro começa com uma cena no céu, o que seria uma disputa de Deus e Satanás (momento em que o livro é muito mal interpretado, vou voltar a falar sobre isso mais tarde. Uma análise do capítulo 1, pra não interferir na interpretação de toda a história).

    Essa disputa era desconhecida tanto por Jó como por seus amigos, que tentavam explicar seu sofrimento de uma perspectiva ignorante. Por fim, Jó busca suporte completo em sua fé na bondade de Deus e na esperança da redenção.

    A mensagem central do livro é como Deus defende a confiança do seu servo. Não havendo qualquer explicação racional ou teológica para a dor e o sofrimento, confie em Deus.

  • Protagonistas:

    • Jó: manteve seu espírito perseverante e se manteve paciente no sofrimento (Tiago 5:11), sua fé foi provada por Deus, mas Jó nunca o culpou, entendendo que deveria confiar inteiramente na Sua vontade.
    • Elifaz: amigo de Jó; acreditava que seu sofrimento era consequência do pecado.
    • Bildade: também amigo de Jó; acreditava que Jó não havia se arrependido de seu pecado e por isso estava sofrendo.
    • Zofar: um terceiro amigo de Jó; acreditava que Jó merecia sofrer mais por causa do seu pecado.
    • Eliú: acreditava que Deus estava usando o sofrimento pra moldar o caráter de Jó (e ficou indignado com as conclusões de seus 3 amigos)
  • Temas Históricos e Teológicos:

    Os acontecimentos consequentes da aflição de Jó nos trazem a refletir questões fundamentais pra fé cristão a qualquer tempo:

    • Por que Jó serve a Deus?

      Jó foi exaltado pela sua retidão, sendo comparado a Noé e Davi (Ezequiel 14:14-20) e pela sua perseverança espiritual em meio ao sofrimento

    • Como agir diante do sofrimento, mesmo que esse seja inexplicável?

      O livro de Jó não dá uma resposta ao motivo de pessoas justas sofrerem, mas destaca a importância de confiar nos propósitos de Deus em meio à provações, porque o sofrimento, assim como todas as outras experiências humanas, é dirigido pela sabedoria divina.

    O livro traz 2 temas principais:

    1. Deus provando o caráter dos crentes para Satanás

      Satanás estava acusando a fé de Jó, garantindo que sua fidelidade era motivada pelas bênçãos que poderia obter, ou seja, sua relação com Deus seria uma farsa. Satanás tinha total convicção de que conseguiria colocar Jó contra Deus.

      Com isso, Satanás foi autorizado a fazer de tudo que destruiria a fé de Jó, sendo mal sucedido.

      O que isso nos ensina? Que a fé da salvação, aquela que não é motivada por conquistas mas pelo que se é, não pode ser destruída. Não importando o nível do sofrimento ou quão incompreensível ele seja.

    2. O caráter de Deus sendo provado para os homens

      Será que essa discussão, essa “necessidade” de provar o caráter de Jó, sugere falta de compaixão e misericórdia da parte de Deus com seu servo? Na verdade, o livro prova algo diametralmente oposto a isso:

      “Eis que temos por felizes os que perseveraram firmes. Tendes ouvido da paciência de Jó e vistes que fim o Senhor lhe deu; porque o Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo” (Tiago 5:11)

      Ao final do livro você vai ver que Jó confia suas aflições e um Criador soberano e perfeitamente, além de que, desde o princípio de suas dores, esteve com o coração voltado a adoração e humildade (Jó 1:20-22 e Jó 42:5-6).

      Isso mostra que sim, Deus permite que seus filhos caminhem sobre o sofrimento (sem os desamparar) às vezes por causa do pecado (Números 12:10-12), às vezes para disciplina (Hebreus 12:5-12), às vezes para o fortalecimento (I Pedro 5:10) e para revelar seu consolo e graça (II Coríntios 1:3-7). Mas há momento em que a justificativa para o sofrimento tem propósitos celestiais que não conseguiríamos discernir (João 9:1-3).

    Para concluir

    Os maiores ensinamentos que podemos traçar são:

    • O povo de Deus sofre. Coisas ruins acontecem com pessoas boas, logo, não se julga a espiritualidade de outra pessoa com base em suas aflições ou sucessos.
    • Ainda que Deus pareça estar distante, perseverar na fé é a melhor virtude, uma vez que Ele é bom e a pessoa pode, confiantemente, entregar sua vida nas mãos d’Ele.
    • Em meio ao sofrimento, não devemos nos afastar de Deus, mas aproximar-se d’Ele para que a comunhão possa trazer o consolo.
    • O sofrimento pode ser intenso, mas chegará ao fim para o justo, que será grandemente abençoado.