Título

A afirmação de Pedro no primeiro versículo é o que dá nome à epístola. Para distingui-la da primeira, foi dado o título de “II Pedro”.

Autor e Data

O autor de II Pedro é o apóstolo Pedro.

Nero morreu em 68 d.C. e, segundo a tradição, Pedro morreu na perseguição de Nero. A epístola pode ter sido escrita pouco antes da sua morte - por volta de 67-68 d.C.

Cenário e Contexto

Desde o momento em que havia escrito e enviado a sua primeira carta, Pedro estava cada vez mais preocupado com os falsos mestres que estavam se infiltrando nas igrejas da Ásia Menor. Embora esses falsos mestres já tivessem causado problemas, Pedro achava que suas doutrinas hereges e seus estilos de vida imorais poderiam resultar em mais danos no futuro. Portanto, Pedro, quase como num testamento (1:13-15), escreveu para advertir os amados cristãos em Cristo acerca dos perigos doutrinários diante deles.

Pedro não diz explicitamente onde estava quando escreveu essa carta, como o faz em I Pedro, mas parece que o consenso é de que ele a escreveu de uma prisão em Roma, onde estava na expectativa da morte iminente. Pouco depois que essa carta foi escrita, Pedro foi martirizado, de acordo com a tradição, sendo crucificado de cabeça para baixo.

Na saudação, Pedro não diz nada sobre os destinatários da carta. Mas, de acordo com 3:1, ele estava escrevendo outra epístola para as mesmas pessoas a quem havia escrito I Pedro. Em sua primeira carta, ele explicou que estava escrevendo aos peregrinos dispersos no Ponto, na Galácia, na Capadócia, na província da Ásia e na Bitínia" (I Pedro 1:1). Essas províncias estavam localizadas numa área da Ásia Menor que corresponde à atual Turquia. Os cristãos a quem Pedro escreveu eram em sua maioria gentios.

Temas Históricos e Teológicos

Essa epístola foi escrita na intenção de desmascarar, frustrar e derrotar a invasão dos falsos mestres na igreja. Pedro pretendia instruir os cristãos sobre como se defenderem desses falsos mestres e de suas mentiras enganosas. Esse livro é a exposição mais expressiva e incisiva dos falsos profetas na Bíblia, sendo comparável somente a Judas.

A descrição dos falsos mestres é, de certo modo, genérica, e Pedro não identifica nenhuma falsa religião, seita ou sistema de ensino. Numa caracterização geral dos falsos mestres, Pedro informa que eles ensinam heresias destruidoras, e também que negam a Cristo e distorcem as Escrituras, levando a verdadeira fé ao descrédito. E zombam da segunda vinda de Cristo. Contudo, Pedro estava tão preocupado em mostrar o caráter imoral desses mestres quanto em desmascarar o que eles estavam ensinando. Portanto, ele descreve com mais detalhes os falsos profetas do que suas doutrinas. A impiedade não é o produto da sã doutrina, mas de "heresias destruidoras” (2:1).

Outros temas nessa carta podem ser distinguidos em meio à polêmica de Pedro contra os falsos mestres. Ele queria motivar seus leitores a continuarem a desenvolver o caráter cristão (1:5-11) e, desse modo, ele explica de maneira admirável como o cristão pode ter certeza de sua salvação. Pedro também queria convencer seus leitores quanto ao caráter divino dos escritos apostólicos (1:12-21). Quase no fim da carta, ele apresenta razões para a demora da segunda vinda de Cristo (3:1-13).

Outro tema recorrente é a importância do conhecimento. De algum modo, a palavra "conhecimento" aparece em alguma forma 16 vezes nesses três breves capítulos. Não seria exagero dizer que a principal solução de Pedro para o falso ensino é o conhecimento da verdadeira doutrina. Outras características distintivas de II Pedro incluem uma afirmação precisa sobre a origem divina da Bíblia (1:20-21), a futura destruição do mundo pelo fogo (3:8-13) e o reconhecimento das cartas de Paulo como Escritura inspirada (3:15-16).