Título

É a segunda epístola escrita por Paulo aos cristãos da igreja em Corinto.

Autor e Data

É incontestável que foi o apóstolo Paulo quem escreveu II Coríntios; a falta de qualquer motivo para um falsificador escrever essa epistola tão pessoal e biográfica tem levado até mesmo os estudiosos mais críticos a afirmar Paulo como o seu autor.

Muitas considerações estabelecem uma data provável para a escrita dessa carta. Fontes extrabíblicas indicam que julho de 51 d.C. tenha sido a data mais provável do inicio do proconsulado de Gálio (cf. At 18:12). O julgamento de Paulo diante dele em Corinto (At 18:12-27) provavelmente ocorreu logo após Gálio ter assumido o cargo. Ao deixar Corinto (provavelmente em 52 d.C.), Paulo foi de navio para a Palestina (At 18:18), concluindo, assim, sua segunda viagem missionária. Ao retornar a Éfeso em sua terceira viagem missionária, Paulo ministrou lá por cerca de dois anos e meio (At 19:8,10). O apóstolo escreveu I Coríntios em Éfeso próximo ao término desse período (1Co 16:8), provavelmente em 55 d.C. Como Paulo planejava permanecer em Éfeso até a primavera seguinte e II Coríntios foi escrita depois de ele ter deixado Éfeso, a data mais provável para II Coríntios é o fim de 55 d.C. ou o inicio de 56 d.C.

Cenário e Contexto

Como Paulo planejava permanecer um pouco mais em Éfeso, enviou Timóteo à cidade de Corinto e, com isso, recebeu notícias preocupantes a respeito de outras dificuldades como a chegada de falsos apóstolos.

Para que esses falsos apóstolos implementassem sua doutrina, começaram a atacar o caráter de Paulo afim de romper a lealdade que a igreja de Corinto tinha com ele. Por isso, Paulo foi até Corinto e, em seus relatos, diz que a visita não foi bem sucedida, afinal, ele chegou a ser insultado publicamente (provavelmente por um dos falsos apóstolos). Entristecido pela falta de lealdade dos coríntios e buscando poupá-los de mais uma repreensão (esperando que o tempo, talvez, trouxesse à razão), Paulo retornou a Éfeso e escreveu uma “carta severa” (2:4) que foi enviada junto com Tito.

Paulo aguardava ansiosamente pela reação da igreja de Corinto à carta severa e, para seu imenso alívio e alegria, Tito o informou que a maioria dos coríntios havia e arrependido de sua rebelião contra Paulo. Por sensatez, o mesmo sabia que ainda existiam atitudes rebeldes às escondias e que poderiam irromper novamente, Paulo escreveu a carta de II Coríntios.

Nessa carta, embora Paulo tenha expressado seu alívio e alegria diante do arrependimento deles, sua preocupação principal foi:

  1. defender o se apostolado (capítulos 1 a 7);
  2. exortar os coríntios a retomar os preparativos para a coleta para os pobres de Jerusalém (capítulos 8 e 9);
  3. confrontar diretamente os falsos apóstolos (capítulos 10 a 13).

Temas Históricos e Teológico

Embora se trate de uma carta bastante pessoal, escrita por um apóstolo no ardor da batalha contra aqueles que atacavam a sua credibilidade, II Coríntios aborda diversos temas teológicos importantes.

Retrata Deus, O Pai, como Consolador misericordioso (1:3; 7:6), o Criador (4:6), aquele que ressuscitou Jesus da morte (4:14) e que ressuscitará os cristãos também (1:9). Cristo é aquele que sofreu(1:5), que cumpriu as promessas de Deus (1:20), que foi o Senhor proclamado (4:5), que manifestou a glória de Deus (4:6) e aquele que, em sua encarnação, tornou-se pobre por causa dos cristãos (8:9). A carta retrata o Espirito Santo como Deus (3:17-18) e o penhor da salvação dos cristãos (1:22; 5:5). Satanás é identificado como o "deus desta era" (4:4), enganador (11:14) e o líder dos homens e dos anjos enganadores (11:15). O fim dos tempos inclui tanto a glorificação do cristão (4:16 a 5:8) quanto o seu castigo (5:10). A verdade gloriosa da soberania de Deus na salvação é o tema de 5:14-21, enquanto 7:9-10 relata a resposta do ser humano à oferta da salvação por parte de Deus - o arrependimento verdadeiro.

Essa carta também apresenta o resumo mais claro e conciso a respeito da expiação substitutiva de Cristo encontrado em toda a Bíblia (5:21) e define a missão da igreja de proclamar a reconciliação (5:18-20). Por último, a natureza da nova aliança recebe a sua exposição mais completa fora do livro de Hebreus (3:6-16).