A carta sempre foi identificada com o nome do autor, Pedro, e com uma nota de que se tratava de sua primeira carta inspirada.
“Pedro” (no grego) ou “Cefas” (no aramaico), significa “pedra” ou “rocha”.
O versículo de abertura da epístola afirma que ela foi escrita por Pedro, que era o líder entre os apóstolos. Originalmente conhecido como Simão, Pedro era filho de Jonas (também chamado João), e membro de uma família de pescadores que vivia em Betsaida e, mais tarde, em Cafarnaum. André, seu irmão, o trouxe a Cristo. Ele era caso e, ao que parece, sua esposa o acompanhava no ministério.
Ele era o porta-voz dos doze discípulos, articulando os pensamentos e as perguntas deles e também os seus. Seus triunfos e suas fraquezas são narrados no Evangelho e em Atos 1 a 12.
Segundo a tradição, Pedro teve de assistir a crucificação de sua esposa, na qual a encorajou com as palavras “Lembra-te do Senhor”. Mais tarde (67-68 d.C.), também foi condenado à morte de cruz; implorou declarando não ser digno de se crucificado como Cristo, mas que deveria ser crucificado de cabeça para baixo, conforme é dito que aconteceu.
O mais provável é que a primeira epístola de Pedro tenha sido escrita pouco antes de julho, no ano de 64 d.C., quando a cidade de Roma foi queimada, tendo, portanto, uma data de composição de cerca de 64-65 d.C.
Quando a cidade de Roma foi queimada, os romanos acreditaram que seu imperador, Nero, a havia incendiado, provavelmente por causa de seu insaciável desejo de construir. Para isso, ele tinha de destruir o que já existia.
Nesse episódio, os romanos ficaram completamente arrasados. Sua cultura, em parte, havia desaparecido junto com a cidade. Todos os elementos religiosos haviam sido destruídos, trazendo grandes implicações porque os fez acreditar que suas divindades tinham sido incapazes de lidar com essa conflagração e que haviam sido vítimas dela.
O ressentimento amargo que sentiam era severo, e então Nero percebeu que tinha de redirecionar a hostilidade.
O imperador escolheu os cristãos como bode expiatório, uma vez que já eram odiados porque estavam associados aos judeus e eram vistos como pessoas hostis à cultura romana. Consequentemente, uma terrível perseguição começou e logo se espalhou pelo Império Romano, impactando os cristãos a quem Pedro chamava de “peregrinos”. Os “peregrinos” eram, provavelmente, gentios em sua maioria, levados a Cristo por Paulo e seus companheiros, e, firmados no ensino de Paulo, precisavam de fortalecimento espiritual por causa de seus sofrimentos.
Pedro escreveu que estava na “Babilônia” quando elaborou a carta (5:13). Os 3 lugares sugeridos por “Babilônia” são: um posto avançado romano na parte norte do Egito, que era chamado de Babilônia (porém, esse lugar era muito obscuro e não há motivos para pensar que Pedro tivesse estado lá). Também temos a Babilônia antiga, na Mesopotâmia, é uma possibilidade; mas seria muito pouco provável que Pedro, Marcos e Silvano estivessem ao mesmo tempo nesse lugar. A última possibilidade é a “Babilônia” pseudônimo de Roma.
De acordo com algumas tradições, Pedro seguiu Tiago e Paulo, e morreu como mártir, nas proximidades de Roma, cerca de dois anos depois de ter escrito a carta. Ele não queria que a carta fosse encontrada e a igreja fosse perseguida, por isso é provável que tenha ocultado sua localização com a palavra-código “Babilônia”, que se encaixava perfeitamente por causa da idolatria da cidade.
Como os cristãos a quem se dirige essa carta estavam sofrendo uma perseguição cada vez maior, o propósito dela era ensiná-los a viver vitoriosamente em meio a hostilidade sem perder a esperança, sem amargurar-se, enquanto confiassem no Senhor e enquanto esperavam a segunda vinda de Cristo.
Pedro queria convencer seus leitores de que, ao levar uma vida obediente e vitoriosa sob pressão, o cristão de fato pode evangelizar seu mundo hostil.
Os cristãos constantemente são expostos a um sistema de mundo cuja energia vem de Satanás e seus demônios, cujos esforços consistem em desacreditar igreja e destruir a sua credibilidade e integridade. Uma maneira pela qual esses espíritos trabalham é encontrando cristãos cuja vida não é coerente com a Palavra de Deus e depois exibindo-os diante dos incrédulos para mostrar a farsa que é a igreja. No entanto, os cristãos devem permanecer firmes contra o inimigo e silenciar os críticos por meio da autoridade de uma vida santa.
Nessa epístola, Pedro é muito efusivo ao narrar duas categorias de verdade. A primeira categoria é positiva e inclui uma longa lista de bênçãos concedidas aos cristãos. Enquanto fala sobre a identidade dos cristãos e o que significa conhecer Cristo, Pedro menciona privilégios e bênçãos sucessivos.