Filemom, o destinatário dessa carta, era um membro proeminente da igreja em Colossos, a qual se reunia em sua casa. A carta era para ele, sua família e a igreja.
O livro afirma que o apóstolo Paulo foi o seu autor, uma reinvindicação que poucos na história da igreja têm contestado, especialmente porque não há nada em Filemon que um impostor teria sido motivado a escrever.
É uma das “epístolas da prisão”, juntamente com Efésios, Filipenses e Colossenses. Sua data, portanto, é por volta de 60-62 d.C..
Filemom havia sido salvo durante o ministério de Paulo, provavelmente em Éfeso (versículo 19), vários anos antes. Abastado o suficiente para ter uma grande casa, Filemom também possuía pelo menos um escravo, um homem chamado Onésimo (literalmente, "útil", um nome comum para escravos). Onésimo não era cristão na época em que roubou dinheiro (versículo 18) de Filemom e fugiu. Como incontáveis milhares de escravos fugitivos, Onésimo fugiu para Roma, buscando se perder em meio à enorme e indefinível população de escravos da capital do império. Por meio de circunstâncias não registradas na Escritura, Onésimo conheceu Paulo em Roma e tornou-se cristão.
Não demorou muito para o apóstolo passar a amar o escravo fugitivo (versículos 12,16) e querer mantê-lo em Roma (versículo 13), onde ele estava prestando um serviço valioso para Paulo em sua prisão (versículo 1 1). Contudo, ao roubar e fugir de Filemom, Onésimo havia violado a lei romana e defraudado o seu senhor. Paulo sabia que essas questões tinham de ser tratadas e decidiu enviar Onésimo de volta a Colossos. Era muito perigoso para um escravo fazer essa viagem desacompanhado (por causa dos caçadores de escravos), por isso Paulo o enviou de volta com Tíquico, que estava retornando a Colossos com a epístola aos colossenses (Cl 4:7-9). Junto com Onésimo, Paulo enviou a Filemom essa bela carta pessoal, recomendando-lhe que perdoasse Onésimo e o recebesse de volta ao serviço como irmão em Cristo (versículos 15-17).
Filemom fornece valiosas informações históricas sobre a relação da igreja primitiva com a instituição da escravidão, que era uma prática comum no Império Romano (segundo algumas estimativas, os escravos constituíam um terço, talvez mais, da população) e era aceita como parte da vida. Na época de Paulo, a escravidão havia praticamente extinguido o trabalho livre. Os escravos podiam ser médicos, músicos, professores, artistas, bibliotecários ou contadores; em resumo, quase todos os ofícios podiam ser (e eram) executados por escravos.
Do ponto de vista legal, os escravos não eram considerados pessoas, mas instrumentos do seu dono. Como tal, podiam ser comprados, vendidos, herdados, trocados ou tomados como pagamento de uma dívida que seu dono tivesse. Este tinha praticamente poder ilimitado para castigá-los e, às vezes, o castigo por pequenas infrações era severo.
Na época do NT, porém, a escravidão estava começando a mudar, e, ao perceber que os escravos contentes eram mais produtivos, seus dono sem geral geral começavam a tratá-los com maior flexibilidade. Não era raro um senhor ensinar a um escravo o seu próprio ofício, e alguns senhores e escravos se tornavam amigos próximos. Embora eles ainda não fossem reconhecidos como pessoas sob o regime da lei, no ano 20 d.C., o senado romano concedeu aos escravos acusados de crimes o direito a um julgamento. Também se tornou mais comum a concessão de liberdade aos escravos (ou a compra da própria liberdade por parte do escravo). Alguns escravos desfrutavam de um serviço muito favorável e lucrativo sob a autoridade de seus senhores e tinham uma situação melhor que a de muitas pessoas livres porque tinham cuidado e provisão assegurados. Muitos homens livres viviam na pobreza.
Em nenhuma passagem o NT ataca diretamente a escravidão; se o tivesse feito, as rebeliões resultantes de escravos teriam sido brutalmente reprimidas, e a mensagem do evangelho confundida de modo irremediável com a da reforma social. Em vez disso, o cristianismo minou os males da escravidão ao transformar o coração dos escravos e de seus donos. Ao enfatizar a igualdade espiritual entre senhor e escravo, a Bíblia acabou com os abusos da escravidão. O rico tema teológico que por si só domina a carta é o perdão, um tema apresentado ao longo de toda a Escritura do NT. A instrução de Paulo aqui fornece a definição bíblica do perdão, sem sequer usar a palavra.