Título

O livro sempre foi chamado pelo nome do seu autor: Ezequiel. Esse nome significa “fortalecido por Deus”, o que, de fato, ele foi, para poder exercer o ministério profético para o qual Deus o chamou.

A localização e a solidão que cercavam o seu ministério exigia a verdade de seu nome. Ezequiel faz uso de visões, profecias, parábolas, sinais e símbolos para proclamar e dramatizar a mensagem de Deus ao povo que estava no exílio.

Autor e Data

A princípio, Ezequiel teria 25 anos quando foi levado cativo e 30 anos quando foi chamado para o ministério profético. Era com idade de 30 anos que os sacerdotes davam início ao seu ofício, sendo um ano importante para Ezequiel. Seu ministério teve início por volta de 593/592 a.C., e se estendeu por pelo menos 22 anos.

Do mesmo modo que Jeremias e Zacarias, Ezequiel era profeta e sacerdote, de modo que tinha interesse nos detalhes do templo, bem como grande familiaridade com eles; assim, Deus o usou para escrever muito a respeito disso.

Com frequência, Ezequiel data suas profecias como 597 a.C.. Ele também data sua mensagem em 40: como sendo 593/572 a.C.. p 14º ano após 586 a.C., isto é, o ano final da queda de Jerusalém. A última profecia de Ezequiel foi feita em 571/570 a.C..

As profecias dos capítulos 1 a 28 estão em ordem cronológica. Em 29:1, o profeta volta 1 ano antes de 26:1. A partir do capítulo 30, ele é quase totalmente cronológico.

O capítulo 40 apresenta um plano detalhado para um novo templo em Jerusalém, o que seria uma visão que ressalta a pureza e a vitalidade espiritual do local ideal de adoração daqueles que lá adoram. Assim, não tem a intenção de referir a um cumprimento terreno, físico, mas expressa a verdade encontrada no nome da nova cidade: “O senhor está aqui (48:35).

De acordo com a tradição rabínica, Ezequiel morreu às mãos de um príncipe israelita cuja idolatria ele repreendeu por volta de 560 a.C..

Cenário e Contexto

Da perspectiva histórica, o reino unificado de Israel durou mais de 110 anos (por volta de 1043-931 a.C.), sob os reinados se de Saul, Davi e Salomão. Então, os reinos divididos, Israel (norte) e Judá (sul) se estenderam de 931 a.C. até 722/721 a.C., permanecendo o reino sobrevivente, Judá, por mais 135 anos, até que caiu sob as forças da Babilónia em 605- 586 a.C.

No contexto mais imediato, várias características foram estratégicas. Na esfera política, o poder militar tão exultado da Assíria desmoronou em 626 a.C., sua capital, Nínive, foi destruída em 612 a.C., pelos babilônios e medos. O Império Neobabilônico firmou-se no cenário quando Nabopolassar assumiu o trono em 625 a.C., e o Egito, sob o reinado de Neco II, estava determinado a conquistar tudo o que pudesse. A Babilônia esmagou a Assíria em 612-605 a. C. e registrou uma vitória decisiva sobre os egípcios em 605 a.C., em Carquemis, não tendo deixado sobreviventes, de acordo com os registros babilônicos. Também em 605 a.C., liderados por Nabucodonosor, os babilônios iniciaram a conquista de Jerusalém e deram início ao processo de deportação dos cativos, entre os quais estava Daniel (Dn 1:2). Em dezembro de 598 a.C., ele novamente sitiou Jerusalém, tendo conseguido tomá-la em março de 597 a.C. Nessa ocasião, ele levou cativos o rei Jeoaquim e um grupo de dez mil pessoas, inclusive Ezequiel (2Rs 24:11-18). A destruição final de Jerusalém e conquista de Judá, incluindo a terceira deportação de judeus, ocorreu em 586 a.C.

No aspecto religioso, o rei Josias (por volta de 640-609 a.C.) havia feito reformas em Judá. Infelizmente, apesar de seus esforços, a idolatria havia entorpecido de tal modo a espiritualidade dos judeus que o reavivamento deles foi apenas superficial. Ao atravessar Palestina, o exército egípcio matou Josias em 609 a.C. e durante os reinados de Jeoacaz (609 a.C.), Joaquim [Eliaquim] (609- 598 a.C.), Jeoaquimem (598- ao 597 a.C.) e Zedequias (597- 586 a.C.),os judeus mergulharam no pecado e direção ao castigo.

Quanto à situação interna, Ezequiel e os dez mil exilados na Babilônia (2Rs 24:14) viviam muito mais na condição de colonos do que de escravos, sendo-lhes permitido cultivar a terra sob condições bastante favoráveis (Jr 29). Ezequiel tinha inclusive sua própria casa (3:24; 20:1).

Com relação às profecias da época, falsos profetas iludiam os exilados, garantindo-lhes um retorno seguro e rápido para Judá (13:3,16; Jr 29:1). No período de 593-585 a. C., Ezequiel fez advertência ao povo de que a tão amada Jerusalém seria destruída totalmente e que o exilio deles seria prolongado, de maneira que não havia esperança de um retorno imediato. Em 585 a.C., um fugitivo de Jerusalém que conseguira escapar dos babilônios chegou a Ezequiel com as primeiras noticias de que Jerusalém havia caído em 586 a.C., cerca de seis meses antes (33:21). Isso despedaçou as falsas esperanças de uma libertação imediata para os exilados, de modo que o restante das profecias de Ezequiel diz respeito à futura restauração de Israel à sua terra natal e às bênçãos finais do reino messiânico.

Temas Históricos e Teológicos

A “glória do Senhor” é o tema central em Ezequiel. O livro inclui descrições vívidas da desobediência de Israel e Judá, apesar da bondade de Deus, mostrando o desejo que Deus tinha de que Israel apresentasse frutos que ele pudesse abençoar; contudo, a autoindulgência tinha deixado Judá pronta para ser punida, como uma videira queimada (capítulo 15).

O livro está repleto de referências à idolatria de Israel e às suas consequências, como a morte repentina de Pelatias, uma ilustração simbólica do desastre que viria sobre o povo.

Muitas cenas pitorescas ilustram princípios espirituais. entre elas estão: