Embora o nome Esdras não apareça na narrativa, o livro leva o seu nome - que significa “O Senhor ajuda”. Isso porque ambas as tradições judaicas e cristã atribuem sua autoria ao famoso sacerdote escriba.
É bem provável que Esdras seja o autor tanto do livro que traz o seu nome como de Neemias, que podem ter sido originalmente um livro só. Além disso, acredita-se que ele também pode ser o autor de Crônicas, tanto pela linha narrativa como pelo forte tom sacerdotal que o livro traz, e Esdras descendia de sacerdotes da linhagem de Arão. E, também, os versículos que encerram II Crônicas são praticamente idênticos aos versículos que iniciam Esdras.
Esdras era um escriba com acesso a uma série de documentos administrativos encontrados em Esdras e Neemias. Poucas pessoas tinham acesso aos arquivos da realiza do Império Persa, mas Esdras provou ser uma exceção. Ele era um homem forte e piedoso que viveu na época de Neemias.
Esdras liderou a segunda leva de judeus que retornavam da Pérsia (por volta de 458 a.C.); portanto, a finalização do livro aconteceu em alguns momentos das várias décadas seguintes (aproximadamente em 457- 444 a.C.).
No passado, Deus havida livrado Israel dos mercados de escravos do Egito no êxodo, por volta de 1445 a.C. Centenas de anos depois, no tempo de Jeremias, Deus alerta seu povo dizendo que, se optassem por quebrar a aliança feita com Ele, novamente permitiria que eles fossem escravizados por outras nações.
Apesar das diversas advertências dadas por meio dos profetas, Israel e Judá optaram por rejeitar o seu Senhor e participaram da adoração para outros deuses, além de adotarem práticas abomináveis pela idolatria. Fiel à sua promessa, Deus castigou os rebeldes Israel e Judá usando os assírios e os babilônios como instrumento.
Assim, em 722 a.C., os assírios deportaram as 10 tribos do norte e as espalharam por todo o seu império (relato em II Reis 17:24-41). Muitos séculos mais tarde, em 605-586 a.C., Deus usou os babilônios para destruir e quase despovoar Jerusalém. Como Judá persistiu em sua infidelidade à aliança, Deus castigou o seu povo com 70 anos de cativeiro, do qual esse povo retornou para Jerusalém como nos informa os relatos de Esdras e Neemias. Ciro, o persa, derrotou a Babilônia em 539 a.C., e o livro de Esdras começa com o decreto de Ciro um ano mais tarde, autorizando os judeus a retornarem para Jerusalém (538 a.C.) e narrando o restabelecimento do calendário nacional de Judá com suas festas e sacrifícios, inclusive a reconstrução do segundo templo (iniciada em 536 a.C. e concluída em 516 a.C.).
Assim como houve três levas de cativos e Israel para a Babilônia (605 a.C., 597 a.C. e 586 a.C.), também ocorreram três retornos para Jerusalém, durante um período de mais de nove décadas:
No entanto, a autonomia política total jamais voltou.
O retorno dos judeus do cativeiro da Babilônia se assemelhou a um segundo êxodo. A viagem de retorno envolveu atividades semelhantes àquelas praticadas no retorno do Egito: