A carta é endereçada à igreja na cidade de Éfeso, capital da província romana na Ásia (Ásia Menor, Turquia). Considerando que o nome “Éfeso” não é mencionado em todos os manuscritos antigos, alguns estudiosos acreditam que a carta era uma encíclica, escrita com a intenção de que circulasse por toda a Ásia Menor, sendo enviada primeiramente à Éfeso.
Paulo é apontado como autor na saudação inicial.
A carta foi escrita na prisão em Roma, talvez entre 60-62 d.C., e é, portanto, mencionada frequentemente como a epístola da prisão (junto com Filipenses, Colossenses e Filemon).
É provável que o evangelho tenha sido primeiro levado a Éfeso por Priscila e Áquila, um casal excepcionalmente equipado (At 18:26), o qual foi deixado lá por Paulo durante a segunda viagem missionária.
A cidade de Éfeso talvez fosse mais bem conhecida pelo seu templo dedicado a Ártemis ou Diana. Era também um importante centro político, educacional e comercial, equiparado a Alexandria, no Egito, e Antioquia da Pisídia, na Ásia Menor meridional.
A igreja começou com Priscila e Áquila, e foi firmemente estabelecida por Paulo em sua terceira viagem missionário (At 19), tendo ele a pastoreado por cerca de 3 anos. Após Paula, Timóteo pastoreou a congregação, possivelmente por um ano e meio, em especial para reagir contra o falso ensino de uns poucos homens influentes, que provavelmente eram presbíteros da igreja.
Por causa desses homens, a igreja em Éfeso estava infestada de “mitos e genealogias intermináveis” e de certas ideias ascéticas e em desacordo com a Bíblia (como a proibição do casamento e a abstinência de certos alimentos). Esses falsos mestres não tinham uma compreensão correta da Bíblia mas, ainda assim, expunham suas interpretações com segurança, as quais promoviam mais controvérsias em vez de promover a obre de Deus, que é pela fé (Efésios 1:4).
Depois de 30 anos, Cristo deu ao apóstolo João a carta para essa igreja, indicando que as pessoas de lá haviam abandonado o seu primeiro amor (Apocalipse 2:1-7).
Os primeiros três capítulos são teológicos, enfatizando a doutrina do Novo Testamento, ao passo que os três últimos são práticos e tratam do comportamento cristão. Acima de tudo, talvez, essa seja uma carta de encorajamento e admoestação, escrita para lembrar os cristãos a respeito das imensuráveis bênçãos em Jesus Cristo; e para que eles não fossem somente gratos por essas bênçãos, mas que vivessem de maneira digna delas. Não obstante, e de certo modo por causa das grandes bênçãos do cristão em Jesus Cristo, é certo que ele será tentado por Satanás à presunção e à complacência. Foi por essa razão que, no último capítulo, Paulo relembra os cristãos a respeito da completa e suficiente armadura espiritual concedida a eles por meio da Palavra de Deus e pelo seu Espírito (6:10-17) e sobre a necessidade da oração vigilante e persistente (6:18).
Um tema chave da carta é o mistério (que significa uma verdade não revelada até então) da igreja de que: "mediante o evangelho, os gentios são coerdeiros com Israel, membros do mesmo corpo e coparticipantes da promessa em Cristo Jesus" (3:6), uma verdade totalmente escondida dos santos do Antigo Testamento. Todos os que creem em Jesus Cristo, o Messias, são iguais perante o Senhor como seus filhos e como cidadãos de seu reino eterno, uma verdade maravilhosa que somente os cristãos dessa época atual possuem. Paulo também fala a respeito do mistério da igreja como a noiva de Cristo (5:32; cf. Ap 21:9).
A verdade importante enfatizada é a igreja como o atual corpo espiritual e terreno de Cristo, uma verdade também distinta e não revelada anteriormente a respeito do povo de Deus. Essa metáfora retrata igreja não como uma organização, mas como um organismo vivo, composto de partes mutuamente relacionadas e interdependentes. Cristo é a cabeça do corpo e o Espírito Santo, sua força vital, por assim dizer. O corpo funciona por meio do uso fiel dos diversos dons de seus membros, concedidos de maneira soberana e única pelo Espírito Santo a cada cristão.