Jeremias 17:1-13 | Que não esqueçamos de onde e para onde devem fluir todas as coisas

No livro de Jeremias, Deus está sentenciando um povo. Um povo que, depois de muitas repreensões e ensinos, insistiu em seguir os próprios caminhos.

Como todo coração necessita de um deus e tudo em nós clama por um criador, esse povo seguiu um caminho de idolatria, realizando rituais que jamais passaram pelo coração do Senhor - como o sacrifício de seus próprios filhos (Jeremias 32:35) - e adorando a seres que não tinham qualquer vida ou poder (Jeremias 10). Diante de tantas abominações, Deus, como qualquer bom pai faria, anuncia ao seu povo que se não retornassem de seus maus caminhos, seriam castigados e levados cativos por seus inimigos.

No capítulo 17, Jeremias declara a palavra de Deus a respeito do pecado e punição do povo de Judá. A partir do versículo 5 até o versículo 13, Deus declara ao povo a raiz de seu pecado: a confiança no homem e o afastamento de Deus. E, então, faz o constraste com a graça divina na vida daqueles que confiam e temem somente a Deus.

*OBS: Em 930 a.C., Israel foi dividido em Reino do Norte e Reino do Sul, sendo chamados, respectivamente, de Israel e Judá. Jeremias profetizava no Reino do Sul, isto é, Judá. Mas todo o povo era chamado “povo de Israel” pois eram uma só nação, por isso, ao ler, vemos tanto “povo de Judá” como “povo de Israel”.


“Assim diz o SENHOR: Amaldiçoado seja o homem que confia no homem, e torna carne o seu braço, e cujo coração afasta-se do SENHOR. Pois ele será como o arbusto no deserto, e não verá quando o bem chegar. Porém habitará os lugares secos no deserto, em uma terra salgada e não habitada.

Abençoado é o homem que confia no SENHOR, e cuja esperança é o SENHOR. Pois ele será como uma árvore plantada próximo às águas, e que estende as suas raízes até o rio, e não verá quando o calor chegar, porém a sua folha estará verde, e não terá preocupação no ano de seca, e nem cessará de produzir fruto.

O coração é enganoso acima de todas as coisas, e desesperadamente perverso; quem pode conhecê-lo? Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração, eu sondo os rins(*), para dar a cada homem conforme os seus caminhos, e conforme o fruto dos seus feitos.

Ó SENHOR, a esperança de Israel, todos que abandonam a ti serão envergonhados, e aqueles que se afastam de mim serão escritos na terra, porque eles abandonaram o SENHOR, a fonte de águas vivas.

(Jeremias 5-10,13)

** O uso da palavra “rins” é um símbolo. No tempo em que a lei exigia sacrifícios de animais, ao serem realizados os cortes para sacrifícios, os rins eram a parte mais funda a se chegar. Representa nossos pensamentos, sentimentos, intenções mais íntimas.*


Vamos observar atentamente a segunda parte. Nós costumamos não levar a sério quando ouvimos e lemos que Deus é. Deus é refúgio, Deus é defesa, Deus é força, Deus é fortaleza, Deus é provedor, Deus é aquele que traz a paz, Deus é.

Em tudo isso, Ele é a nossa fonte. Em tudo isso, estando com Deus, nada falta, pois Ele é a fonte inesgotável de todas as coisas. A ausência delas, muitas vezes, pode ser a consequência de estarmos confiando no nosso próprio braço e em nossos corações quando Deus exige total confiança e entrega a Ele - e, convenhamos, nossa paz aumenta só de termos a convicção de que é Deus quem nos garante.

Ao posicionarmos nossas raízes em qualquer outra coisa - nossas dúvidas, ansiedades, medos, outras pessoas, conquistas, objetivos, etc - nos vemos agindo como criaturas que não conhecem a este Deus.

Quando compreendemos que nossa fonte rica e incessante está em Deus, podemos nos preocupar única e exclusivamente em O conhecer, amar, buscar e adorar. Quanto mais próximo nosso coração estiver de Deus, mais iremos produzir frutos de acordo com Sua vontade e em Seu tempo, podendo, assim, descansar de toda ansiedade e, acima de tudo, derrubar todos os ídolos.

Nosso coração levanta altares a deuses falsos sempre que esquecemos da grandeza e caráter do único, soberano e verdadeiro Deus. Então ao lembrarmos a cada manhã que Ele é a nossa fonte e vida, podemos clamar que seja o único assentado no trono dos nossos corações.


Para concluir, quando estudamos o Antigo Testamento, lemos e ouvimos promessas feitas ao povo de Israel, que era o povo escolhido por Deus. Uma vez que Cristo entra na história, todos aqueles que O têm como Senhor e Salvador são feitos povo de Deus, tendo parte na herança dessas promessas.